A enxaqueca é mais prevalente no sexo feminino. Aqui abordaremos as várias peculiaridades que a enxaqueca assume de acordo com as fases hormonais na vida da mulher. Pré-adolescência: a migrânea tem prevalência similar em ambos os gêneros. 

A partir da menarca, permanece numa proporção de cerca de três mulheres para cada homem. Hormônios femininos desempenham seu papel, mas a razão exata ainda não é conhecida. 

Menstruação: crises pioram no período menstrual em cerca de 70% das migranosas e 14% das mulheres apresentam exclusivamente crises menstruais. Crises menstruais costumam ser mais severas e mais prolongadas que as crises não menstruais. Sabe-se que tais crises se associam a queda ou retirada do estrógeno do período pré-menstrual1. 

Gravidez: a migrânea geralmente melhora com o aumento  e estabilização do nível de estrógeno. Na gravidez (níveis altos e estáveis de estrógenos) ocorre remissão completa das crises em 17,4%, melhora significativa em 49,9%. As remissões são mais significativas nas mulheres cuja enxaqueca se iniciou na menarca. Contudo, lado, a frequência de crises não se altera em 29,2% das  mulheres e em 3,5%, ocorre piora de crises2,3. 

Pós-parto: 34% das mulheres terão cefaleia na primeira semana pós-parto e 55%, no primeiro mês. 58% das mulheres previamente migranosas sofrerão recorrência de crises e cerca de 2% começam suas crises nesse período4. 

Amamentação: Há relatos4 que 100% das migranosas que não amamentaram experimentaram recorrência das crises, cifra que foi de 42% entre as que amamentaram. Há também relatos3 mostrando que durante a amamentação se mantêm as melhoras obtidas durante a gestação. 

Menopausa: a afirmação clássica de que a migrânea desaparece com a menopausa é simplista, primeiro porque declina em ambos os sexos com a idade, contudo, ainda aos 70 anos, a enxaqueca é 2,5 vezes mais prevalente nas mulheres. Na realidade, dois terços das mulheres experimentam melhoras com a menopausa espontânea, ao passo que dois terços pioram com a menopausa cirúrgica5. 

A enxaqueca é mais prevalente e provoca mais sofrimento entre as mulheres, a enxaqueca é influenciada pelas diferentes fases de da vida da mulher. 

 

REFERÊNCIAS

1. Massiou H, MacGregor A. Influence of female hormones on migraines. In: Olesen J, Tfelt-Hansen P, Welch KMA (eds.). The headaches. 2. ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2006. p. 331-41. 

2. Granella F, Sances G, Zanferrari C, et al. Migraine without aura and reproductive life events: a clinical epidemiological study in 1,300 women. Headache. 1996;36 (3):189. 

3. Marcus D, Scharff L, Turk D. Longitudinal prospective study of headache during pregnancy and post-partum. Headache. 1999;39:625-32. 

4. Sances G, Granella F, Nappi G, et al. Course of migraine during pregnancy and postpartum: a prospective study. Cephalalgia. 2003;23:197-205. 

5. Neri I, Granella F, Nappi R, et al. Characteristics of headache at menopause: a clinico-epidemiologic study. Maturitas. 1993;17:31-7. 

 

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