Cefaleia do tipo tensional (CTT) 

Em nosso meio é conhecida como dor de cabeça comum, cefaleia de tensão, cefaleia de compressão muscular, cefaleia psicomiogênica. Este é o tipo mais comum de cefaleia primária, sua prevalência ao longo da vida  na população geral varia em diferentes estudos de 30 a 78% (1). A despeito de ser a mais prevalente, sua etiologia (causa) é ainda mal compreendida (2).  As razões que concorrem para esse fato são: a dor é mais branda, menos incapacitante, os distúrbios autonômicos são poucos ou inexistentes, é frequentemente associada à migrânea (83% dos migranosos têm também CTT).

A CTT se subdivide em dois grupos:  em aqueles com e aqueles sem distúrbio dos músculos pericranianos. Para se proceder a avaliação da musculatura pericrânica, usa-se simplesmente a palpação   manual.  Pela Classificação da Sociedade Internacional de Cefaleia, as CTT se classificam de acordo com frequência de crises em:

Cefaleia   do Tipo Tensional Episódica Infrequente ( menos de 1 dia/mês),

Cefaleia   do Tipo Tensional Episódica Frequente (1 a 15dias por mês com dor) e

Cefaleia   do Tipo Tensional Crônica (>15 dias por mês com dor).

A prevalência das formas episódicas varia de 34% (3) a 69% (10). A CTTC tem prevalência bem menor, 2,2% a 3% (10).

Os pacientes com CTT procuram médicos menos frequentemente que os migranosos. Cerca de 16% recorrem ao clínico geral e apenas 4% ao especialista (2). A CTT pode ser um ônus na vida de seus padecedores. Estima-se que 18% dos pacientes têm de descontinuar suas atividades durante as crises, 12 a 19% perdem dias de trabalho e indivíduos com CTTC perdem em média, cerca de 2,7 dias por ano devido a moléstia (4).

Admitem-se que mecanismos algógenos periféricos exercem papel preponderante nas CTTs episódicas, por outro lado, na CTT crônica os mecanismos algógenos centrais exerceriam um papel mais importante. Já se demonstrou que a sensibilidade à dor está alterada em pacientes com CTTC, assim como a curva do limiar algogênico (Figura 1) está desviada para esquerda (5).

(Figura 1).

Figura 1. Curva de limiar algogênico

 

Em CTT ocorre também excessiva sensibilidade de musculatura pericrânica (6). Recentemente se demonstrou uma diminuição da substância cinzenta nas áreas envolvidas no controle de dor em pacientes com CTT (7). Assim, parece haver consenso na literatura médica que a CTT, principalmente, sua forma crônica seja uma condição neuro-biológica cerebral.

Em conclusão, a maior parte dos pacientes com CTT se beneficia de analgésicos comuns livres de receituário. Alguns pacientes desenvolvem a forma crônica da moléstia que demanda, sem dúvida, cuidados especializados.

 

 

 

REFERÊNCIAS

1.       Subcomitê da Sociedade Internacional de  Cefaleia, Tradução da Classificação Internacional das Cefaleias da Sociedade Internacional de Cefaleia. 2ª Ed. São Paulo. Editora Segmento Farma, 2004.

2.       Bordini CA; Bigal ME; Mariano da Silva H. In Retratos da Enxaqueca e de outras Cefaléias Primárias. Bordini CA, Corbioli M. Eds.  Lemos Editorial Publishers. São Paulo, 2001; 59-66).

3.       Göbel et al. The epidemiology of tension type headache in Germany: A nationwide survey. Cephalalgia, 1994; 14:97-106). 

4.       Rasmussen, BK, Jensen R et al, Epidemiology of headache in a general population: a prevalence study. J Clin Epidemiol. 1991; 44:1147-1157).

5.       Bendtsen L, Jensen R, Olesen J.  Decreased pain detection and tolerance thresholds in chronic tension-type headache. Arch Neurol. 1996; 53(4):373-6.

6.       Langemark M, Olesen J. Pericranial tenderness in tension headache. A blind, controlled study. Cephalalgia. 1987 Dec;7(4):249-55.

 

7.       Schmidt-Wilcke T, Leinisch E, Straube A, Kämpfe N, Draganski B, Diener HC, Bogdahn U, May A. Gray matter decrease in patients with chronic tension type headache. Neurology. 2005; 65(9):1483-6.

 

Copyright 2015 Clínica Neurológica Batatais